Incoerências espíritas
NEGA A EXISTÊNCIA DO INFERNO, MAS DIZ-SE CRISTÃO
Ninguém pode ser tachado de incoerente só por negar a existência do Inferno, onde (de acordo com o Cristianismo bíblico) o diabo, os demónios e os humanos que se perderem serão atormentados eternamente. Facilmente chegamos a esta conclusão quando pensamos:
_ Já que ninguém é obrigado a ser cristão, então, ninguém é obrigado a crêr que o Inferno existe. Ponto final e parágrafo.
Todavia, aquele que se diz cristão, mas não admite o Inferno como real, é, totalmente incoerente.
Por exemplo, ninguém é obrigado a reconhecer Maomé como Profeta de Alá, mas é impossível ser muçulmano sem admitir e aceitar isso como uma verdade absoluta. Deste modo, o facto de o Kardecismo rechaçar a idéia da "penas eterna", e, insistir em se dizer cristão, denota que essa seita é um sistema mentiroso, não sendo, pois, uma instituição cristã; já que Cristo, o fundador do Cristianismo, falava coisa com coisa e foi Ele, mais que qualquer outro, que alertou para a existência do Inferno.
Sem pretender fazer uma apologia do Cristianismo bíblico, mas, apenas demonstrar que o Kardecismo é hipócrita por se dizer cristão sem arcar com as implicações desta postura, neste caso, argumentando que a crença na "pena eterna" não é incompatível com a bondade de Deus. Seria compatível, se Deus, além de bom, não fosse também justo e santo.
Vamos analisar e reflectir sobre as incoerências Kardequianas tornando-as bem visíveis.
Pedindo ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo que isto possa contribuir para livrar alguém de percorrer o caminho espírita que, mesmo negando o Inferno, conduz os seus seguidores ao Inferno numa auto-estrada de 5 faixas livres de sentido único.
Podemos provar de forma categórica que a realidade do Inferno é uma doutrina do Cristianismo histórico, e que, sendo assim, é uma perfeita incoerência dizer-se cristão recusando este facto. Então, o Kardecismo é incoerente.
Sintetizando o que Allan Kardec escreveu em seus livros (principalmente no livro intitulado “O Céu e o Inferno”), no seu inglório afã de “provar” a inexistência do Inferno como um lugar de suplício eterno, digo, com palavras minhas, que as “razões” por ele apresentadas são as seguintes:
O castigo eterno não existe porque:
a) Jesus jamais se referiu ao suplício eterno; (analisamos aqui)
b) É contrário ao bom senso; (analisamos no post seguinte)
c) É repugnante à justiça; (analisamos no post seguinte)
d) É oposto ao amor de Deus; (analisamos no post seguinte)
e) É uma desonra ao Deus amoroso; (analisamos no pot seguinte)
a) Jesus jamais falou de suplício eterno? Vamos então às Escrituras:
Não é necessário provar que os kardecistas negam a existência do Inferno, porquanto eles não escondem isso de ninguém. Kardec entendia que Jesus, em consequência do atraso inerente aos espíritos de seus contemporâneos que, por isso mesmo, não estavam à altura de entender a verdade sobre este assunto, absteve-se de fazê-lo.
Jesus, segundo Kardec, não disse que não há suplício eterno, mas também não afirmou que haja. É que Ele sabia que com o tempo isso passaria. Senão, vejamos:
“Jesus encontrava-se, pois, na impossibilidade de os iniciar no verdadeiro estado das coisas; mas não querendo, por outro lado, com sua autoridade, sancionar prejuízos aceitos, absteve-se de os retificar, deixando ao tempo essa missão. Ele limitou-se a falar vagamente da vida bem-aventurada, dos castigos reservados aos
culpados, sem referir-se jamais nos seus ensinos a castigos e suplícios corporais, que constituíram para os cristãos um artigo de fé” (O Céu e o Inferno.
Federação Espírita Brasileira: 1ª parte, capítulo IV, nº 6, página 43. Grifo meu).
Ao lêr a Palavra de Deus, verificamos que Jesus jamais deixou de ensinar quaisquer verdades, em respeito aos preconceitos, ignorância e tradições existentes nos dias de Seu Ministério terreno: assentou-se à mesa com os publicanos (Mt 9:11; Lc.15:1-2); mandou um homem transportar a sua cama em dia de sábado (Jo.5:8-13); foi de encontro às tradições dos anciãos (Mt 15:1-11); falou a uma mulher samaritana (Jo.4:9,27); declarou Sua igualdade com Deus (Jo 5:18); exigiu para Si as honras
reservadas exclusivamente para Deus (Jo 5:23); e disse ser um com Deus (Jo 10:30), o que equivale a dizer que Ele é Deus (Jo 10:31-33). [Ora, os judeus erraram ao pensar que Jesus estava blasfemando por se fazer Deus, mas acertaram por interpretar a firmação “Eu e o Pai somos um” como equivalente a “Eu sou Deus” (confere com Jo 10:31-33)].
Os kardecistas, naturalmente recorrem a Jo. 16:12, onde Jesus teria “deixado de ensinar algo que os apóstolos ainda não podiam suportar naquela época, devido às imperfeições de seus espíritos”. Mas o contexto demonstra não ser este o caso, visto que dentro de poucos dias após, o Consolador veio e os guiou em toda a verdade. Logo, segundo o próprio Cristo, os apóstolos receberam a Doutrina completa, já que, segundo a Bíblia, o Consolador que lhes daria maiores revelações tão logo viesse, veio dentro de um período de tempo inferior a dois meses e os guiou a toda a verdade. Não podemos duvidar de que Cristo se referia apenas às perseguições que eles, os apóstolos, iriam enfrentar, as quais produziriam até mártires. Certamente não era prudente dizer a Pedro que ele seria um dia crucificado de cabeça para baixo; a Tiago, que ele seria decapitado; a Tomé, que ele seria transpassado por uma flecha e assim por diante.
Bem, a que segredo se referia Jesus em Jo 16:12: Às perseguições que os apóstolos enfrentariam? A maiores revelações da parte de Deus, revelações estas que redundariam na composição do Novo Testamento? Ou Ele estaria a referir-se a estas duas coisas? Seja como for, a Bíblia é clara:
Os apóstolos receberam o Consolador e, por conseguinte, foram guiados a toda a verdade, bem como habilitados a testificar de Cristo incondicionalmente.
O facto de Jesus afirmar que “ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade” é, segundo os kardecistas (como vimos acima), prova cabal de que naquela época a Humanidade ainda não estava preparada para receber toda a verdade, e que, por isso mesmo, Jesus deixou claro que no devido tempo Deus daria à Humanidade uma revelação maior do aquela mediada por Cristo. Acontece, porém, que Jesus não disse assim: “ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando estiverdes preparados, Eu vos darei outro Consolador que o dirá ”. Logo, os discípulos não tinham que evoluir para receberem o Consolador, e sim, receber o Consolador para se habilitarem a maiores
revelações. Ademais, vimos no capítulo 3 que, segundo a Bíblia, o Consolador veio no século I.
Embora eu não queira discutir com os que não vêem em Jesus mais que “um grande filósofo, um grande idealista, um revolucionário político, um grande defensor dos direitos humanos, um grande defensor dos pobres” e assim por diante, reconheço que a mensagem de Cristo causou tão grande impacto nos seus contemporâneos que estes (na sua maioria), rejeitaram-No; e que, não obstante, Ele não arredou o pé: expôs os charlatões publicamente (Mt 21:12,13), falou a verdade com autoridade jamais vista (Mt. 7:29), possibilitando ao povo ouvir algo inédito (Jo. 7:46).
Isto mostra-nos que a dissertações mentirosas e descontextualizadas de Allan Kardec em torno da postura de Cristo sobre o Inferno, são meras palavras ocas. Cristo falou sim, senhor Kardec, do castigo eterno; e não o fez de modo vago, mas claro. Disse Jesus:
- “Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?” (Mt 23:33 );
- “... vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação”. (Jo 5:28, 29);
- “... Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna” (Mt 25:41, 46);
- “Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, e Isaque, e Jacó e todos os profetas, no reino de Deus, e vós lançados fora” (Lc 13:28);
- “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crêr será condenado” (Mc 16:15, 16).
Repito: Cristo falou sim, do castigo eterno; e não o fez de modo vago, mas claramente, como acabamos de ver.

