Incoerências espíritas (o Inferno é Oposto ao Amor de Deus?)
O inferno só é "Oposto ao Amor de Deus" se ignorarmos que Deus, mesmo sendo Deus de Amor, é totalmente Santo e totalmente Justo! Dizer que o inferno é "Oposto ao amor de Deus", é negar que Deus abomina o pecado! É negar o sacrifício de Jesus na cruz do Calvário! Deus jamais vai aceitar o nosso pecado apesar de nos amar. Ele providenciou a nossa salvação do Inferno! Jesus Cristo!
O que a Bíblia afirma de forma clara, é que realmente existe a condenação eterna e que Deus é, inegavelmente, amor. Se temos dificuldades para compreender o porquê da severidade de Deus para com o pecado, o problema está em nós. O próprio Kardecismo diz: “Por que haveis de avaliar a justiça de Deus pela vossa?”, mas a verdade é que avalia... incoerências!
A passagem bíblica que mais enfatiza, simultâneamente, a perdição eterna e o amor de Deus, é Jo 3:16. Este versículo diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Ora, se Deus nos deu Seu Filho para não perecermos, está provado que Ele viu que se não no-Lo desse, pereceríamos inevitavelmente; e, visto que Ele realmente é amor, e, portanto, não deseja esta tamanha catástrofe para nós, tomou medidas drásticas e radicais contra o pecado, em defesa do pecador. Este texto bíblico (Jo.3.16) assegura-nos que Deus nos deu o Seu Filho com a seguinte finalidade: Livrar-nos de perecer e, por conseguinte, dar-nos a vida eterna.
Pergunto aos kardecistas: O que é perecer?
Se não existe Inferno e sofrimento eterno, Jesus veio salvar-nos de quê? Morrer, é algo que nos acontecerá a todos (se Jesus Cristo não vier antes), este corpo nasce para morrer. Se todas as nossas faltas (pecados) pudessem ser reparadas através de boas obras e sofrimentos, nesta e/ou noutra (s) encarnação (ões), neste e/ou noutro (s) mundo (s), não haveria necessidade de Deus nos dar o Seu Filho unigénito para nos livrar de perecer, pois teríamos em nós mesmos a solução desse inconveniente: a caridade e as vicissitudes da vida. Logo, Deus nos teria dado o Seu Filho em vão.
Se o sacrifício de Jesus Cristo não é suficiente para que todo aquele que n'Ele crê não pereça e seja justificado perante Deus, a vinda d'Ele a este mundo foi inteiramente ineficaz e inoperante, não tendo, portanto, produzido nenhum efeito positivo sobre nós, porquanto ainda estamos sujeitos a tudo quanto estaríamos, se Ele não tivesse vindo em nosso auxílio, a saber, ainda temos que expiar os nossos pecados através das boas acções + sofrimentos.
Acontece, porém, que Jesus Cristo disse “que todo aquele” (o que equivale a dizer: seja lá quem for) “que n'Ele crê ” não perecerá, mas terá “a vida eterna”. O que é “não perecer"? O que é “ter a vida eterna"? “Não perecerá” significa que não sofrerá eternamente? Mas para que nos daria Deus o Seu Filho para nos livrar do sofrimento eterno, se este não existisse?
“Não perecerá”... significa que o crente não terá que sofrer as consequências dos seus pecados? Como não, se Allan Kardec disse que o homem não se livra de pagar o que deve, nesta ou noutra encarnação, neste ou noutro mundo?
Respondam-me, ó kardecistas, o que é o “não pereça” a que Jesus fez menção?
Está claro nas palavras de Jesus, quem crêr vai livrar-se de uma coisa chamada perecer. Essa coisa não seria o sofrimento eterno, pois este não existe (segundo o kardecismo); também não é deixar de sofrer uma pena temporal, isto é, uma pena por um tempo determinado, até que o pecador expie as suas culpas, pois segundo o kardecismo, o homem sofrerá inevitavelmente as conseqüências de suas faltas. Então, que é o “não pereça”?
É digno de nota que o “não pereça”, esteja em oposição com o “tenha a vida eterna”, o que, por si só, já nos informa que quem não perecer terá a vida eterna, e que quem não tiver a vida eterna, irá perecer.
Uma vez que nós (os cristãos evangélicos) e os kardecistas cremos na imortalidade da alma, e por “vida eterna” entendemos uma existência feliz com Deus para sempre, “pereça” não seria uma existência consciente, sem Deus, infeliz, para todo o sempre?
Se o leitor é kardecista, por certo está pensando:
“Não pode ser, pois Deus é amor!”
Então eu pergunto: O facto de Deus nos ter dado o Seu Filho unigénito para nos livrar do sofrimento eterno, no inferno, ao qual estávamos sentenciados, não é, porventura, uma grande prova de amor? A maior de todas as provas de amor?
Sendo a pena, eterna ou não, ao nos dar Deus o Seu Filho para nos livrar dessa pena, Ele prova o Seu imensurável amor por nós, você não acha?
E se Deus nos deu o Seu Filho para nos livrar da pena, ainda que esta não fosse eterna, estaria extinta por Jesus, continuando Allan Kardec a assumir o
sacrílego posto de falso profeta, considerando que muitos anos após Deus nos ter dado o Seu Filho para nos salvar, ele (Allan Kardec) escreveu o seguinte:
a) “... O sofrimento é inerente à imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis ...” (O Céu e o Inferno, capítulo VII, nº 33, página 100. Grifo meu);
b) “Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se o não for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes, porque todas as existências são solidárias entre si,... (Idem, capítulo VII, nº 9, página, 91).
Por que é que as consequências das nossas faltas (pecados) são inevitáveis se Deus nos amou de tal maneira que nos “deu o Seu Filho unigénito para que” ao crermos n'Ele deixemos de perecer e tomemos posse da “vida eterna”?
Quando o Senhor Jesus Cristo mandou pregar o Evangelho a todas as pessoas, assegurou que “quem crer e for baptizado será salvo”; e que “quem não crer será condenado” (Mc 16:15,16). Logo, os kardecistas precisam saber o seguinte:
a) O Senhor Jesus salva (Hb 7:25; At 10:43; 2:48; Mc 2:9; Ef 2:5, 8, 9; I Jo 1:7; Rm 3:23-28; Rm 6:23; 8:1);
b) Quem crê em Jesus não perece, tem a vida eterna, é salvo e não é condenado. Isso significa ter a vida eterna, ser salvo, não perecer, e não ser condenado?
Se não há sofrimento eterno, no Inferno, e sim a inevitabilidade de uma punição que termina tão logo o penitente pague o que deve através das boas obras e das aflições da vida, nesta e/ou noutra (s) encarnação (ões), pergunta-se:
Quem crer no Evangelho será salvo de quê? E quem não crer será condenado a quê?
Sim, se existe a inevitabilidade das consequências das faltas, quem crer será salvo de quê? Igualmente, se não há sofrimento eterno, no Inferno, e sim a inevitabilidade duma pena passageira, quem não crer no Evangelho será condenado a quê, visto que a pena passageira nós sofreremos inevitavelmente, crendo ou não
no Evangelho, como o insiste o Kardecismo?
Eu estou recorrendo à Bíblia, e os kardecistas devem considerar isto relevante, pois como já sabemos, Allan Kardec recorre à Bíblia frequentemente. Quem examina as obras do Kardecismo sabe que a literatura kardequiana está recheada de textos bíblicos. Claro que Kardec recorreu à Bíblia com segundas intenções, mas, de um jeito ou de outro, isso confere-nos o direito de também ir à Bíblia, para nos certificarmos se, de facto, a Bíblia dá ao Kardecismo o apoio que essa seita alega receber do Livro dos livros. Sim, já que Allan Kardec invocou o testemunho bíblico, vejamos o que a Bíblia tem a dizer.
