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Blog d'espiritismo _ A verdade

Não há, pois, como considerar Cristão, alguém que não crê no sacrifício que o Deus Vivo fez por nós. Desta forma, como filhos de Deus , devemos tomar cuidado com seitas que se dizem Cristãs, mas que são a mais pura deturpação da verdade.

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Não há, pois, como considerar Cristão, alguém que não crê no sacrifício que o Deus Vivo fez por nós. Desta forma, como filhos de Deus , devemos tomar cuidado com seitas que se dizem Cristãs, mas que são a mais pura deturpação da verdade.

O Que é que os Seguidores de Jesus Disseram Sobre o Inferno?

 

Ao longo dos textos do livro de Francis Chan, “Apagando o Inferno”, aqui publicados, temos visto claramente que Jesus Cristo concordava com os seus contemporâneos judeus quanto á realidade do inferno.

Mas, o que será que pensavam as pessoas que vieram depois d’Ele?

Elas imitaram o Seu exemplo ao falar abertamente sobre a punição para o ímpio?

Há duas razões para responder a esta pergunta tão importante:

 

Primeiro, chegamos mais facilmente a algumas conclusões se outros autores do Novo Testamento tiverem feito declarações similares às de Jesus.

 

Segundo, isso ajuda‐nos a entender o exemplo que foi estabelecido para nós. Em outras palavras, se Jesus e os seus primeiros seguidores falaram ousadamente sobre o inferno, então, não deverímos nós fazer o mesmo?

Vamos então explorar outros livros e cartas do Novo Testamento para verificar o que nos é dito sobre o inferno.

O Inferno nas Cartas de Paulo

Começaremos por examinar a visão de Paulo sobre o inferno.

A primeira coisa a notar, entretanto, é que essa palavra não aparece nas suas cartas. Percebeste o que eu disse? Em todas as suas 13 cartas, Paulo nunca usou a palavra “inferno”.

Se nos concentrarmos apenas neste facto, podemos concluir que Paulo evitou a questão. Ou, talvez não…

Ainda que nunca tenha mencionado a palavra “inferno”, Paulo referiu‐se ao destino do ímpio mais do que qualquer outro autor do Novo Testamento. Embora nunca tivesse usado a palavra inferno, ele falou em “morte”como resultado do pecado, por meio da qual o ímpio “pereceria”ou “seria destruído”pela “ira” de Deus. De acordo com Paulo, o pecador está “condenado” e será “julgado” por Deus por conta do seu pecado. E, a não ser que o pecador se arrependa e se volte para Cristo, ele será “punido”por Deus quando Cristo voltar.

Paulo descreveu o destino do ímpio com palavras como “perecer, destruir, ira, pena” e outras em mais de 80 ocasiões nas suas 13 cartas. Em termos de comparação, Paulo, nas suas cartas, fez mais referências ao destino do ímpio do que ao perdão, à misericórdia de Deus e ao céu juntos.

Portanto, muito embora Paulo nunca tenha usado de facto a palavra inferno, nem descrito o lugar em nenhum nível de detalhe, ele certamente acreditava que o ímpio enfrentaria um destino horrível se permanecesse no pecado.

Seria preciso muita criatividade e muito esforço para apagar todas as menções e todas as noções de ira e de punição das cartas de Paulo. O esforço de Paulo em alcançar os descrentes condena‐me. Já me senti até culpado quando lia sobre os sofrimentos que ele suportou para compartilhar o evangelho. Quando me deparo com o que Paulo escreveu sobre a punição do ímpio, tenho mais facilidade em entender como é que ele parecia sempre tão motivado.

Será que a sua motivação para alcançar os perdidos estava directamente relacionada à sua disposição de considerar o destino deles, caso não fossem alcançados? Parece‐me que sim.

Isso explicaria o estranho sermão de Paulo em Atos 17. Nesse capítulo, vemos Paulo a colocar-se perante uma plateia completamente pagã (em vez de judaica), que não tinha qualquer conhecimento sobre Jesus, o Antigo Testamento, o Deus de Israel ou qualquer outro ponto de conexão com o evangelho. Paulo levanta‐se e usa apenas alguns minutos para entregar uma mensagem, para compartilhar as boas‐novas com eles. O que é que ele faz?

Fala de julgamento. Menciona várias outras coisas, e até cita alguns dos poetas dos próprios gregos (v. 28), mas, quando a história chega ao auge, Paulo prega que Deus os julgaria se eles não se arrependessem:

 

"[Deus] ordena que todos, em todo o lugar, se arrependam. Pois estabeleceu um dia em que há‐de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou. E deu provas disso a todos, ressuscitando‐o dentre os mortos." (Atos 17:30‐31)

 

Não há cruz, expiação, graça, testemunho de conversão e nada de “Deus ama‐te e tem um plano maravilhoso para a sua vida” Não que essas coisas sejam desnecessárias; o próprio Paulo tratará disso noutras ocasiões. Mas o que aquelas pessoas precisavam de ouvir era que Jesus fora ressuscitado dos mortos e que iria julgá‐las se não se arrependessem.

Como a maioria de vós, fico irritado diante daqueles pregadores de rua que enfatizam a ira e o julgamento. Gostaria que eles falassem mais sobre graça e amor. À vezes fico pensando se eles não fazem mais mal do que bem. Contudo, enquanto fico sentado a julgar a eficácia deles, devo admitir que o sermão de Paulo em Atos 17 é terrivelmente parecido com o do pregador que ouvi a gritar na praia a semana passada!

A questão é: embora grande parte da nossa cultura eclesiástica creia que essa conversa de ira e julgamento seja estóica e desamorosa, Paulo, aparentemente não tinha qualquer problema com essas coisas. O facto é que Paulo acreditava que essas verdades eram essenciais. Tal como João Baptista e o próprio Jesus, Paulo cria que advertir as pessoas sobre a ira futura era sim uma demonstração de amor.

 

Se o meu filho de 2 anos saísse a correr pela rua, seria desamoroso da minha parte adverti‐lo da tragédia que seria se o camião que vem ao fim da rua o atropelasse? Alguém criticaria um bombeiro por acordar uma família a fim de a resgatar da casa que está em chamas? Alguém pode criticar um médico por dizer à paciente que ela tem um cancro que tem que ser tratado se ela quiser continuar a viver?

Não é porque alguns exageraram na mensagem da ira e do juízo que devemos ir na direcção oposta e abolir o que as Escrituras enfatizam. Deus é compassivo e justo, amoroso e santo, irado e perdoador. Não podemos ignorar os Seus atributos mais duros para abrir espaço para os mais agradáveis.

Voltemos a Paulo.

 

Do livro:

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O Inferno é um Lugar de Aniquilação e de Punição Eterna _ 2ª parte

Essa argumentação parece conciliar o amor de Deus com as duras palavras de Jesus acerca do inferno. Mas será que é esse o verdadeiro significado da expressão aionios kolasis? Era isso que Jesus estava a dizer em Mateus 25:46?

 

Creio que não, e explico porquê.

Primeiro, vamos analisar a palavra kolasis. Ela significa correcção ou punição? Por três razões, ela significa punição.

A palavra kolasis só é usada em três outras ocasiões no Novo Testamento, e em todas elas, trata claramente de punição. Além disso, é usada na literatura judaica produzida na época do Novo Testamento com o mesmo significado.

Sendo assim, quando os judeus ouviam Jesus a falar nesses termos, pensavam em punição, não em correcção.

 

Em segundo lugar, o “castigo eterno” (aionios kolasis) é o mesmo destino citado no versículo 41, o “fogo eterno”, preparado para o diabo e para os seus anjos”. É ali que os bodes, ou descrentes, serão lançados. Caso se entenda que, nesse lugar, o descrente passa por um período de correcção para ser salvo, então devemos supor a mesma coisa em relação ao diabo e aos seus anjos. Contudo, tal dedução torna-se impossível à luz de Apocalipse 20:10 onde se lê:

“E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta, e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.”

Desse modo, Jesus, de facto, declara que os descrentes compartilharão do mesmo destino que o diabo e os seus demónios.

 

Em terceiro lugar, Jesus costuma referirse ao “inferno”, à “fornalha ardente” ou ao “fogo eterno” como um lugar de retribuição: um lugar no qual os pecadores serão punidos pelos seus pecados. Nesas passagens (Mateus 13:41-42,50), Jesus não fala sobre correcção. Desse modo, quem afirma que o inferno é correctivo deve argumentar que Jesus tem em mente algo totalmente diferente quando quando fala sobre “fogo eterno” e “kolasis eterno” em Mateus 25:46.

Mas, essa hipótese é bastante improvável. Pesquisei 10 comentários de diferentes correntes teológicas, e 15 traduções da Bíblia em 5 idiomas diferentes em busca da palavra kolasis. Queria realmente verificar se outros académicos bíblicos concordam com o que eu disse acima.

Descobri que todos eles traduzem kolasis por punição. Tradutores e comentaristas não são infalíveis, mas um consenso tão diversificado e universal deve gerar uma enorme cautela. Parece claro que Jesus se referia a um “castigo aionios” em Mateus 25:46, não a uma “correcção aionios”.

 

E quanto à palavra aionios? Os académicos bíblicos vê debatendo por séculos o significado desse termo, de modo que não vai ser aqui que vamos resolver a questão. É importante notar que, seja qual for a tradução aionios, a passagem ainda se refere à punição para o ímpio, algo que os universalistas negam.

Em poucas palavras, aionios pode significar, entre outras coisas, por toda a vida, contínuo ou duradouro. Nas duas vezes em que é usada em Mateus 25:46 (“castigo aionios” e “vida aionios”, a palavra provavelmente significa eterno em cabos os casos. Digo isto por duas razões:

 

Primeiro, o contraste entre “castigo aionios” e “vida aionios” engloba a noção de tempo sem fim. Embora seja verdade que aionios nem sempre signifique eterno, quando é usado aqui para descrever coisas na era futura, é bem provável que tenha mesmo esse significado. Pense nisto: Porque a vida nessa era nunca cessará, dado o paralelo, a punição nessa era também parece não ter fim.

 

Segundo, é dito que a punição será no “fogo eterno [aionios], preparado para o diabo e os seus anjos” (Mateus 25:41).

Sabemos, com base em outras passagens das Escrituras, que o diabo e os seus anjos sofrerão para todo o sempre (Apocalipse 20:10). Portanto, quando Jesus declara que os descrentes irão para o mesmo lugar e sofrerão a mesma punição, a conclusão lógica é que essa punição também não terá fim.

 

Sendo assim, onde é que eu quero chegar?

O debate sobre a duração do inferno, é muito mais complexo do que presumi inicialmente. Embora eu esteja muito propenso para o lado que defende a sua eternidade, não estou pronto para afirmar isso com toda a certeza. Quero incentivar-te a continuar a pesquisa, mas não te envolvas tanto nesse debate ao ponto de perderes de vista o que Jesus tentava comunicar.

Jesus escolheu uma linguagem forte e aterrorizante quando falou do inferno. Creio que Ele optou por falar dessa forma porque nos ama e quer advertir-nos.

Portanto, não vamos confundir-nos: Ele falou sobre o inferno como um lugar horrível, caracterizado pelo sofrimento, fogo, trevas e lamentação. Creio que a Sua intenção foi despertar tamanho temor que nos fizesse levar o inferno a sério e evitá-lo a qualquer custo.

Confesso que fiquei um pouco surpreendido diante de tantas declarações duras que Jesus fez sobre o inferno. É bem possível que isso me tenha apanhado de surpresa, porque estou mais acostumado a ouvir as pessoas enfatizarem as Suas palavras de bênção, não as Suas palavras de advertência. Algumas delas podem ter-te chocado, mas gostaria que considerasses o pensamento a seguir:

_ Estamos limitados pelas palavras do Criador, aquele que fará o que é certo. Aquele que determinou a justiça e que sabe perfeitamente o que é que o descrente merece. Deus nunca nos pediu para compreender a Sua justiça ou para verificar se a Sua maneira de fazer as coisas é moralmente correcta. Ele apenas nos pediu para abraçar a Sua Palavra, para dobrarmos os nossos joelhos e para tremer diante da Sua Palavra, como o profeta prediz em Isaías 66:2.

Não te preocupes tanto em decifrar a doutrina do inferno a ponto de te esqueceres de tremer.

 

Adaptado do livro:

 

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O Inferno é um Lugar de Aniquilação e de Punição Eterna _ 1ª parte

 

 

“E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.” (Mateus 10:28)

Às vezes, Jesus parece deixar subentendido que o inferno não durará muito tempo. “Perecer no inferno”, não parece ser o mesmo que “queimar para sempre”. Essa linguagem de destruição é comum não apenas nas palavras de Jesus, mas também ao longo das cartas de Paulo.

Contudo, há uma passagem significativa na qual Jesus parece falar do inferno como lugar de punição sem fim, onde todos os descrentes sofrerão dor horrível e agonizante.

Mas, antes de prosseguir, tornam-se necessárias duas palavras de advertência.

Primeiro, creio que é benéfico mergulhar no significado preciso das palavras e da gramática grega, no entanto isso pode ser mais técnico do que alguns estão acostumados. Ainda que a tradução bíblica seja clara, creio que seria bom mostrar que está amparada pelo texto grego. O ponto em questão é crucial, e não pode ser analisado sem um estudo rigoroso, humilde e intenso da infalível Palavra de Deus. Portanto, será preciso diminuir a velocidade, arregaçar as mangas e aprofundar-nos em alguns textos chave.

Segundo, não percamos de vista o assunto. Se tudo o que conseguirmos for apenas descobrir a duração do inferno e nada mais, então, o trabalho foi em vão. Tendo isso em mente, voltemos à Bíblia com a percepção solene de que o que lemos é verdadeiro. Essas palavras têm implicações reais para pessoas reais, com destinos reais.

Em várias ocasiões, Jesus fez afirmações que podem sugerir uma punição sem fim, muito embora essas passagens em si mesmas sejam inconclusivas. Como vimos, por exemplo, Jesus diz que o ímpio será lançado no “fogo eterno”: “… melhor te é entrar na vida coxo ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno.” (Mateus 18:8)

Mas, é o fogo ou o sofrimento que é eterno? A passagem não especifica.

Do mesmo modo, em Marcos 9, Jesus descreve o fogo do inferno como um fogo que “nunca se apaga”, e que “o seu verme não morre” (v. 44,48). Pode ser uma referência a uma punição incessante, entretanto, é preciso cautela. Nessa ocasião, Jesus alude a Isaías 66:24 (verme que não morre, fogo que não se apaga), e Isaías provavelmente não estava a pensar na punição eterna.

Outra passagem que às vezes é citada para provar a existência da provação eterna é a parábola do homem rico e de Lázaro, em Lucas 16.

Em quase todas as passagens nas quais Jesus menciona o inferno, não está explícita a sua duração eterna. Jesus fala de tormento, e temos a impressão de que o inferno é terrível, que é um lugar a ser evitado a todo o custo, mas Jesus não nos conta claramente qual será a sua duração.

A declaração mais sugestiva de Jesus _ talvez a sua única _ sobre a duração do inferno aparece em Mateus 25. Aqui, Jesus fala sobre o juízo final que acontecerá na sua segunda vinda (v. 31). As ovelhas (os que crêem em Jesus) e os bodes (os que não crêem) estão divididas em dois campos, e Jesus decide quem é quem com base naquilo que as pessoas fizeram ao longo da sua vida. As ovelhas serviram a Jesus ao vestir o que não tinha roupas, alimentar o faminto, dar de beber ao sedento, e assim por diante, enquanto os bodes não fizeram essas coisas. Jesus, então dá o seu veredicto:

 

“Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e para os seus anjos.” (Mateus 25:41)

Jesus faz uma revisão acerca do comportamento deles na terra e encontra evidências convincentes para a sua condenação (v. 42-44). Então, conclui:

 

“Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.” (Mateus 25:4546).

 

As duas expressões de maior destaque são ”fogo eterno” (v. 41) e “castigo eterno” (v. 46). Uma leitura simples dessas expressões parece sugerir que o inferno não tem fim. Mas, antes de tirarmos conclusões precipitadas, precisamos olhar mais de perto as palavras gregas estão por trás da tradução para o português, pois já houve quem defendesse que elas não significam realmente o que consta da tradução. Por exemplo, algumas pessoas que dizem que o inferno não durará para sempre argumentam que as palavras traduzidas por “castigo eterno” _ aionios kolasis _ não significam que a punição será eterna. Em vez disso, alguns já defenderam que aionios significa “um período de tempo”, enquanto kolasis é um termo de horticultura que significa podar ou aparar. Por exemplo:

Um aionios de kolasis. Dependendo de como se traduz aionios e kolasis, então, a frase pode significar “um período de poda” ou “um tempo de aparagem”, ou uma experiência intensa de correcção. O argumento segue da seguinte forma: o propósito da “correcção” ou “poda”, naturalmente, é o de melhorar, de incentivar o seu pleno potencial. Ou, nesse contexto, de corrigir o ímpio pelo seu mau comportamento até que ele não seja mais um ímpio. Portanto, de acordo com esta argumentação, Jesus não fala aqui de punição eterna para o ímpio; pelo contrário, fala de um tempo de correcção cujo propósito é, no fim, salvar aqueles que sofrem a punição.

Durante esse tempo, existiriam oportunidades sem fim, durante uma quantidade infinita de tempo para que as pessoas digam sim a Deus. Claro que uma parte de mim quer acreditar que isso é verdade! Essa argumentação parece conciliar o amor de Deus com as duras palavras de Jesus acerca do inferno. Mas será que é esse o verdadeiro significado da expressão aionios kolasis? Era isso que Jesus estava a dizer em Mateus 25:46?

Adaptado do livro:

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Já só faltam 4 dias!

 

"O sucesso de um falsificador de moedas depende de quão parecida a moeda falsa é com a genuína. A heresia não é uma negação completa da verdade, mas sim uma perversão da verdade. Esta é a razão pela qual uma mentira incompleta é mais perigosa do que uma mentira completa."

 

Já só faltam 4 dias!"O sucesso de um falsificador de moedas depende de quão parecida a moeda falsa é com a genuína. A heresia não é uma negação completa da verdade, mas sim uma perversão da verdade. Esta é a razão pela qual uma mentira incompleta é mais perigosa do que uma mentira completa."

O Inferno é Descrito como:

Tal como os seus contemporâneos judeus, Jesus usou várias vezes a ilustração do fogo para descrever o inferno. Aqui estão alguns exemplos extraídos de Mateus 13. Enquanto conta a parábola do trigo e do joio, Ele acrescenta:

 

"Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro." Mateus 13:30

 

Considerado isoladamente, esse versículo expressa pouca coisa, mas Jesus segue adiante e explica a parábola, esclarecendo a sua metáfora sobre queimar o joio:

 

"Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça." Mateus 13:40-43

 

As declarações de Jesus são assustadoras. Embora seja difícil de aceitar, a cena do choro quando o ímpio é lançado no inferno (a "fornalha ardente") é comum entre os autores judeus do século 1. Mais uma vez, Jesus se harmoniza com o seu próprio contexto, fazendo uso dessa imagem.

Alguns versículos depois, Jesus reafirma:

 

 "Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes." Mateus 13:49-50

 

O que Jesus descreve aqui não é o inferno na terra, que provém das decisões ruins que tomamos durante esta vida; tampouco é a festa sem fim que o AC/DC descreve na sua música. O inferno é o lugar em que, no final dos tempos, serão punidos todos os "fora da lei" que não seguem Jesus nesta vida. Mais uma vez, Jesus disse:

 

"Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno." Mateus 18:8-9

 

Essas imagens de "fogo eterno" e "fogo do inferno" eram típicas do século 1. Jesus usou esse vocabulário comum para transmitir uma mensagem inequívoca: nenhum judeu teria coçado a cabeça para tentar entender o significado das palavras de Jesus. O fogo eterno da geena é um lugar de punição para todo aquele que não segue Jesus nesta vida.

Tal como outros autores judeus da sua época, Jesus também usou a imagem das trevas para descrever o inferno. Em Mateus 8, Ele declara:

 

"Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus; e os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes." Mateus 8:11-12

 

Essa passagem é uma crítica ao povo judeu, que pensava que a sua origem étnica poderia garantir-lhe um lugar no reino. De maneira impressionante, Jesus afirma que muitos gentios (os que "virão do oriente e do ocidente") chegarão ao reino, enquanto muitos judeus (os "súbditos do Reino") não entrarão nele porque não seguiram Jesus. Jesus usa as ilustrações judaicas conhecidas de trevas e choro para se referir ao dia do julgamento e às suas consequências. Nenhuma das pessoas que vivia no mundo no século 1 entenderia de outra forma as citações de trevas e choro, como vimos no capítulo anterior.

Jesus usou o mesmo conjunto de imagens no fim de outra parábola que contou pouco antes de ser morto:

 

"Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes." Mateus 22:13

 

E mais uma vez, noutra parábola:

 

"Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes." Mateus 25:30

 

Trevas, choro e ranger de dentes _ são essas as imagens que os judeus comummente utilizavam para aludir ao inferno. Novamente, Jesus se refere a um lugar de punição de modo semelhante aos seus contemporâneos do século 1. Também é importante reconhecer que não há nada nessas passagens que dê esperança de uma segunda, terceira ou quarta chance de arrependimento após a morte.

A próxima categoria é mais difícil de avaliar. Jesus acreditava que o ímpio seria aniquilado ou que sofreria punição incessante no inferno?

 

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O Inferno é um Lugar de Punição Após o Juízo

Jesus usa  a palavra grega geena (traduzida por inferno) doze vezes nos evangelhos. Ele também faz uso de imagens de fogo e trevas em contextos nos quais o que está em vista é a punição após o juízo. Uma rápida olhada nessas declarações mostra que, tal como os seus contemporâneos judeus, Jesus cria que um lugar horrível de punição espera pelo ímpio no dia do julgamento.

O exemplo mais claro é Mateus 25:31-46, o relato mais longo e detalhado sobre o dia do julgamento apresentado nos quatro evangelhos. Jesus começa assim:

 

"E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;
E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;" Mateus 25:31-32

 

Analisaremos essa passagem com mais detalhes quando nos aproximarmos do final deste capítulo. Por agora, é importante notar que o evento em questão é o dia do juízo, que ocorrerá quando Cristo voltar. Depois de analisar os factos (v. 33-45), Jesus dará o veredicto: os que crêem serão recompensados com a vida eterna, enquanto os que não crêem receberão a punição eterna. Embora a palavra inferno (geena) não seja usada aqui, o conceito de inferno é transmitido pelas expressões "fogo eterno" (v. 14) e "castigo eterno" (v. 46).

 

Outra passagem em que a palavra inferno é usada no contexto de julgamento é Mateus 5. Boa parte do capítulo fala sobre o resultado potencialmente devastador de ser julgado num tribunal terreno. Mas Jesus vai além e garante que o tribunal de Deus será muito pior, pois, neste, o Juiz tem poder de sentenciar o réu ao "fogo do inferno" geena" (Mateus 5:22). Essa não é uma menção vaga ao inferno, e certamente não se trata de uma referência a um depósito de lixo. O contexto judicial dessa declaração assegura que Jesus se está a referir às consequências do dia do julgamento.

 

Temos aqui outra passagem em que geena é usada no contexto do julgamento futuro de Deus:

 

"Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?" Mateus 23:33

 

A expressão "condenação do inferno", mais uma, remete-nos ao ambiente de um tribunal. Como temos visto, o inferno é reservado como lugar de punição ao ímpio (neste caso, aos mestres da lei e aos fariseus). Jesus não está a usar a palavra inferno para descrever "as experiências e as consequências bastante reais de se rejeitar a bondade e a humanidade que nos foram dadas por Deus". Sim, uma vida de pecado certamente traz experiências na vida: a cobiça  destrói relacionamentos, a ira leva à violência, a avareza leva ao divórcio. Sem dúvida. Mas não é disso que Jesus está a falar. Quando Jesus usa expressões conhecidas, como "geena de fogo", em contextos judiciais como esse, Ele está a referir-se a um lugar literal de punição após o julgamento. Ele fala de inferno.

 

No post seguinte:

O Inferno é Descrito por Meio de Imagens como Fogo, Trevas e Pranto

 

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Jesus Fala Sobre o Inferno

Nos post's anteriores, fizemos uma viagem pelo mundo de Jesus e vimos que, sem dúvida, os judeus do 1º século acreditavam no inferno. Para eles, o inferno era um lugar em que o ímpio seria punido depois de ter passado pelo julgamento de Deus.

Eles usavam várias imagens para descrever esse inferno: fogo, trevas e lamentação. Alguns judeus criam que o ímpio seria aniquilado depois de ser lançado no inferno, enquanto outros descreviam o inferno como um lugar de tormento incessante.

Agora, entra em cena um rabi judeu chamado Yeshua, ou Jesus. Com base em tudo o que sabemos sobre Jesus, era de esperar que ele fosse mais compassivo ao abordar o conceito de vida após a morte, certo? Podemos pensar nos fariseus, que pareciam aproveitar cada oportunidade para tornar a lei do Antigo Testamento o mais dura possível. Uma porção significativa do ensinamento de Jesus foi dedicada a libertar as pessoas do jugo insuportável dos fariseus. Jesus, certamente, afastou-se daquelas imagens terríveis e enfatizou o amor de Deus ao falar sobre o dia do juízo, não é?

Não exactamente. Na verdade, não é mesmo.

Jesus cresceu no mundo das crenças descritas no capítulo anterior. Era de esperar que as suas convicções sobre o inferno fossem as mesmas da maioria dos judeus. E, se Ele não o fez _ se Jesus rejeitou a crença judaica recorrente sobre o inferno _, então, Ele certamente precisaria ser claro em relação a isso.

Essa última frase é muito importante. É melhor lê-la outra vez.

Em outras palavras, se a visão de inferno apresentada no capítulo anterior não era a mesma de Jesus, então Ele teria de ter argumentado contra ela, de maneira clara e deliberada. Lembre-se de que Jesus certamente não tinha medo de ir contra as ideias comummente defendidas pelos judeus, como a visão que tinham sobre o divórcio (Mateus 5:32; 19:9), o perdão (Mateus 18:21-22), a riqueza (Lucas 18-19) e as leis sobre o sábado (Marcos 3:1-6). Portanto, podemos estar certos de que, se Jesus não contrariou a visão judaica sobre o inferno, não foi por medo de o fazer.

Deste modo, vamos tirar o foco do mundo de Jesus e colocá-lo naquilo que o próprio Jesus declarou sobre o inferno. O que estamos prestes a ver é que a sua visão sobre o inferno se alinha com a visão judaica dominante no 1º século. Para mostrar isso, analisaremos as palavras as palavras de Jesus por meio das mesmas categorias usadas no capítulo anterior. Para Jesus:

 

  1. O inferno é um lugar de punição após o juízo;
  2. O inferno é descrito por meio de imagens como fogo, trevas e pranto;
  3. O inferno é um lugar de aniquilação e de punição eterna.

No Post Seguinte:

O Inferno é um Lugar de Punição Após o Juízo

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Sou arrebatado de volta a uma dura realidade - O Inferno

Estou num lugar que transborda de vida: Alegria, risos, café, animação, comunicação, conversas, namoro, amizade, depressão e a esperança de ficar livre dela um dia. Isso é vida! Eu adoro _ e as pessoas também.

Enquanto isso, estou sentado aqui, lendo uma porção de passagens bíblicas, todas elas dizendo que algumas dessas pessoas vão para o inferno. Fico chateado por afirmar isso, e não consigo expressar a minha angústia neste exacto momento. Há pelos menos uma dúzia de pessoas a três metros de mim, aqui e agora, que podem ir para o local de agonia que estou a estudar.

O que faço? Continuo a estudar? Devo deixar este livro de lado e começar a puxar conversa com elas? Como é possível acreditar nessas passagens e ficar aqui sentado silenciosamente?

Sei que alguns de vocês já enfrentaram o mesmo conflito. Bem agora, enquanto você lê, provavelmente há pessoas por perto que também podem acabar no inferno. O que é que você vai fazer? Talvez o Senhor queira que coloque este livro de lado. Encarar essas passagens sobre o inferno e fazer perguntas difíceis como essa é um processo angustiante.

Sou arrebatado de volta a uma dura realidade,: não é só uma questão de doutrina; tem a ver com destinos. E se você, que lê este livro, tem resistência às passagens bíblicas sobre o inferno, não faça deste um mero exercício intelectual, deixe que o ensino bastante real de Jesus sobre o inferno o desperte. Permita que as Suas palavras reconfigurem a sua maneira de viver, falar e olhar para o mundo e para as pessoas ao seu redor.

 

No Post Seguinte:

Jesus Fala Sobre o Inferno

 

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O Inferno é um Depósito de Lixo?

É facto que alguns autores contemporâneos tentam situar Jesus no contexto dele. Na verdade, esse é um dos aspectos mais animadores da pregação e da produção literária de Rob Bell. Ele está correcto quando escreve que "pegar em algumas poucas palavras de Jesus e, dois mil anos depois, despejá-las sobre alguém, sem antes entrar no mundo em que elas foram ditas, é letal para a vida, a vitalidade e a verdade da Bíblia". Amém!

Seguindo o conselho de Bell, já entrámos no mundo em que foram feitas as declarações de Jesus sobre o inferno, e vimos que aquele mundo considerava o inferno como, literalmente, um lugar de punição. Bell também tenta entender a visão de Jesus sobre o inferno à luz do judaísmo do século 1, porém, chega a resultados bastante diferentes. Já destacámos que Bell enfatiza que inferno se refere a "infernos na terra" _ as tragédias que esta vida nos traz _, em vez de um lugar de punição para o ímpio após a morte. No entanto, essa ênfase não condiz com o cenário do século 1, como vimos em primeira mão.

Bell sugere que, quando Jesus usava a palavra inferno (geena), se referia a um depósito de lixo fora de Jerusalém, para onde os judeus costumavam atirar o lixo. Bell argumenta que "geena, nos dias de Jesus, era o lixão da cidade", e que era isso que Jesus entendia como inferno:

"As pessoas jogavam o lixo e os dejectos nesse vale. Lá havia fogo, ardendo constantemente para consumir o lixo. Animais selvagens brigavam pelos restos de comida das beiradas da pilha. Quando lutavam, rangiam os dentes. Geena era o lugar de ranger de dentes, onde o fogo nunca se extinguia. Geena era um lugar real, como o qual os ouvintes de Jesus estavam familiarizados. Assim, da próxima vez que lhe perguntarem se você acredita num inferno real, você pode responder: "Sim, realmente creio que o meu lixo vai para algum lugar..." - Rob Bell

 

Entretanto, se Jesus se referia realmente a um depósito de lixo quando falava sobre esta geena, então, muitas das suas declarações foram, no mínimo, estranhas:

 

"E qualquer que disser: "Louco", corre o risco de ir para o fogo do depósito do lixo". - Mateus 5:22

 

"É melhor perder uma parte do seu corpo, do que ser todo ele lançado no depósito do lixo". - Mateus 5:29

 

"Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no depósito do lixo". - Mateus 10:28

 

"É melhor entrar na vida com um só olho do que, tendo os dois olhos, ser lançado no depósito do lixo". - Mateus 18:9

 

Do mesmo modo, Jesus declara aos escribas e aos fariseus que eles eram "filhos do depósito de lixo", e então pergunta-lhes: "Como escaparão da condenação ao depósito do lixo?" (adaptado de Mateus 23:15,33).

 

Embora seja louvável a tentativa de entender Jesus no contexto judaico do século 1, a teoria de Bell de que "a Geena é um depósito de lixo" é tanto equivocada quanto imprecisa. Veja porquê:

 

Primeiro, é equivocada porque confunde a fonte de uma ideia com a ideia em si. Só porque a imagem que Jesus usou para descrever o inferno teria sido inspirada num depósito de lixo em chamas (se é que foi), não significa que Ele se referia ao depósito de lixo real quando usou a palavra Geena. Costumo ouvir, por exemplo, as pessoas referirem-se a uma estrada congestionada como um "estacionamento". A declaração é inspirada por um estacionamento literal, mas ninguém está a afirmar que as pessoas conduzem até à estrada, estacionam, trancam o carro e, então, saem para trabalhar. É assim que as imagens funcionam. Portanto, afirmar que Jesus se referia a um lixão verdadeiro é equivocar-se em relação ao funcionamento da linguagem.

 

Segundo, também é imprecisa a sugestão de que "a geena é um depósito de lixo". A teoria inteira baseia-se em evidências bastante instáveis. Alguns comentadores e pastores continuam a promover a ideia, mas não há evidências da época de Jesus de que o vale de Hinom (Geena significa literalmente "vale de Hinom") fosse o lixão da cidade. De facto, por centenas de anos depois de Jesus, não houve provas de que, alguma vez, tenha existido um depósito de lixo no vale de Hinom durante o século 1. Tampouco há evidências arqueológicas de que este vale tenha sido algum dia um depósito de lixo (se foi um lixão, seria possível escavar e encontrar provas).

De facto, a primeira referência que se tem sobre o vale de Hinom, ou geena, como depósito de lixo urbano é feita por um rabino chamado David Kimhi num comentário escrito em 1200 d.C..

No ano 1200 d.C.!!! Isso é mais de um milénio à frente da época em que Jesus viveu! Essa foi a primeira vez que o vale de Hinom foi associado ao lixão. Esta é a citação de Kimhi:

 

"Geena é um lugar repugnante, no qual a imundície e os cadáveres são atirados, e no qual o fogo queima perpetuamente para consumir a imundície e os ossos; por causa disso, por analogia, o juízo do ímpio é chamado de "geena"."

 

Escrevendo no final da Idade Média _ a propósito, da Europa, não de Israel _, Kimhi foi o primeiro a fazer essa sugestão. Portanto, aqui está o problema: _ Quais são as chances de Jesus ter pensado no depósito de lixo da cidade ao usar o termo geena, quando não temos evidências da existência de tal lugar senão mais de mil anos depois? Não há provas nas pilhas de escritos judaicos e cristãos anteriores à época de Kimhi de que essa palavra tenha a sua raiz no lixo em chamas no vale de Hinom.

Você percebeu que o próprio Kimhi escreveu sobre a palavra geena? Ele afirmou que esse depósito de lixo se tornou uma analogia para o "juízo do ímpio". Portanto, até mesmo o primeiro autor a ligar geena ao depósito de lixo o considerava uma analogia para o lugar em que o ímpio será julgado.

Muitas das teorias de Bell sobre o inferno baseiam-se numa lenda da Idade Média.

Sendo assim, o que há no vale de Hinom que transformou a palavra geena na imagem  de julgamento ardente? No Antigo Testamento, o vale de Hinom foi onde alguns israelitas se envolveram em adoração idólatra aos deuses cananeus Moloque e Baal. Era ali, de facto, que eles sacrificavam os seus filhos àqueles deuses (2 Reis 16:3; 21:6), fazendo-os "passar pelo fogo" (Ezequiel 16:20-21). Com a pregação de Jeremias, o vale de Hinom tornou-se uma metáfora do local em que os corpos dos ímpios seriam lançados (Jeremias 7:29-34; 19:6-9; 32:35):

"Por isso, certamente vêm os dias ... em que não chamarão este lugar ... vale de Ben-Hinom, mas vale da matança" (Jeremias 7:32). Os judeus do período veterotestamentário adoptaram essa metáfora e seguiram com ela. A palavra geena foi amplamente usada por judeus da época de Jesus como referência ao lugar ardente de julgamento para o ímpio no final dos tempos, como já vimos.

 

Para os judeus do século 1, a violenta imagem de malfeitores punidos no vale de Hinom fornecia uma analogia apropriada para a punição de Deus ao ímpio no inferno. Uma vez que Jesus viveu e ensinou nesse cenário, as suas referências abrangentes à geena deveriam ter o mesmo sentido, amenos que Ele especificasse que tinha outra coisa em mente (uma questão que exploraremos no próximo capítulo).

Entender o judaísmo do primeiro século, e aquilo em que acreditavam esses judeus em relação ao inferno, prepara-nos para compreender o ensino de Jesus sobre o assunto no seu contexto. Ao caminhar para o próximo capítulo, precisamos fazer-nos uma pergunta muito importante:

_ Jesus afirmou ou rejeitou aquela crença no inferno tão disseminada no século 1?

 

Francis Chan

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O Inferno é um lugar de aniquilação/O Inferno é um lugar de punição eterna

Ao contrário do que ensinam os doutrinadores espíritas, o inferno não foi inventado pela igreja nem o judeus tinham uma ideia vaga ou ignorante sobre o lugar de punição eterna para os ímpios. Vamos perceber melhor:

 

O Inferno é um lugar de aniquilação

Alguns autores judeus acreditavam na aniquilação do ímpio. Um deles, que viveu em Israel por volta da época de Jesus, considerou a questão da seguinte maneira:

 

E o seu local de habitação  será nas trevas e no lugar de destruição; não morrerão, mas derreterão até que eu me lembre do mundo e renove a terra. Então eles morrerão e não mais viverão, e a sua vida será retirada da multidão de todos os homens. (Século 1 d.C.)

 

O facto de não morrer imediatamente, mas sim "derreter", sugere algum período de sofrimento. Contudo, em última análise, para esse escritor judeu haverá uma aniquilação do ímpio.

 

O Inferno é um lugar de punição eterna

Embora alguns cressem que o ímpio seria aniquilado, outros acreditavam que o inferno seria um local de punição permanente. Esses autores judeus descreveram o inferno como um lugar de "todo o tipo de tortura e tormento", onde seres "tenebrosos e cruéis" usariam, "sem piedade, instrumentos atrozes de tortura" (Séculos 1 e 2 d.C.).

O inferno era chamado de "abismo", no qual os seus "prisioneiros viviam em dor, com a prespectiva de incessante punição" (séculos 1 e 2 d.C.) Outro autor descreveu os ímpios no inferno, implorando que os anjos da sua punição lhes dessem uma breve trégua (...). Clamando por um pouco de descanso, mas sem o encontrar (...). A luz desapareceu dos nossos olhos, e as trevas tornaram-se a sua habitação para sempre e sempre; porque anteriormente não tivemos fé enm glorificámos o nome do Senhor dos Espíritos (século 1 d.C.).

 

Um relato bem ilustrativo retrata sete irmãos sendo martirizados por alguns poderosos de origem grega. Depois da morte dos seis primeiros, o sétimo irmão, após ser torturado, deixa escapar o seguinte, pouco antes de morrer: "Por causa disso, que a justiça reserve a você fogo e torturas intensos e eternos, e que, por todo o tempo, nunca o abandonem." (século 1 d.C.)

Basicamente, ele manda o seu torturador para o inferno.

Poderíamos continuar a citar autores judaicos que viveram e escreveram na época de Jesus indefinidamente. Contudo, com base nas passagens citadas anteriormente, uma coisa fica clara: os judeus do século 1 acreditavam no inferno. Ainda que exista diferença de opinião quanto à eternidade do inferno, a sua existência como local de punição do ímpio é quase unânime.

Isso é inegável. É a visão judaica do século 1 em relação ao inferno.

Foi nesse mundo judaico que Jesus cresceu. Se quisermos entender Jesus à luz do seu próprio contexto no primeiro século, então precisamos entender as crenças desse contexto sobre o inferno. Isso impedir-nos-á de colocar nos lábios de Jesus as nossas próprias ideias a respeito do inferno, enquanto lemos o Novo Testamento.

 

No Próximo Post:

O Inferno é Um Depósito de Lixo

 

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