Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Blog d'espiritismo _ A verdade

Não há, pois, como considerar Cristão, alguém que não crê no sacrifício que o Deus Vivo fez por nós. Desta forma, como filhos de Deus , devemos tomar cuidado com seitas que se dizem Cristãs, mas que são a mais pura deturpação da verdade.

Blog d'espiritismo _ A verdade

Não há, pois, como considerar Cristão, alguém que não crê no sacrifício que o Deus Vivo fez por nós. Desta forma, como filhos de Deus , devemos tomar cuidado com seitas que se dizem Cristãs, mas que são a mais pura deturpação da verdade.

O ESPIRITISMO KARDECISTA E A SUA INTERPRETAÇÃO MALUCA SOBRE A PARÁBOLA DOS REMENDOS E DOS ODRES E VINHOS

Certa vez Jesus disse: 

"Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha; doutra sorte o mesmo remendo novo rompe o velho, e a rotura fica maior.
E ninguém deita vinho novo em odres velhos; doutra sorte, o vinho novo rompe os odres e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; o vinho novo deve ser deitado em odres novos. - Marcos 2:21-22

Noutra tradução: "Ninguém costura remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo novo se desprenderá da roupa velha, e o rasgo será ainda maior. E ninguém põe vinho novo em recipiente de couro velho; porque o vinho novo romperá o recipiente de couro, e se perderão tanto o vinho quanto o recipiente de couro; mas põe-se vinho novo em recipiente de couro novo." 
Como é que o Espiritismo Kardecista interpreta este texto?
Leia e veja um exemplo perfeito de como NÃO se deve interpretar uma parábola.

No livro "Parábolas e Ensinos de Jesus", páginas 237 a 239, o autor Cairbar Schutel explica que o remendo de pano, os odres (recipientes) e o vinho velhos referem-se às religiões sacerdotais, como as nossas igrejas cristãs, e o remendo, os odres e o vinho novos referem-se ao Espiritismo Kardecista. Veja:

Página 237.
Página 238.
Página 239.

A interpretação espírita kardecista é horrorosa, tendenciosa e totalmente contra todo o ensino de Jesus Cristo. Ao manipular um texto desta forma, qualquer seita poderia encaixar os seus ensinos nesta parábola e dizer esta barbaridade:
Na parábola de Jesus, o que é velho é tudo o que não tem a ver connosco, e o que é novo são as verdades que ensinamos.
Na verdade todas as "verdades" do espiritismo são mentiras diabólicas travestidas de textos bíblicos descontextualizados, deturpados e vergonhosamente interpretados.
 
Mas, Jesus tinha algo específico em mente quando disse estas palavras.

 Para quem é que Ele as disse? Para os discípulos de João Batista e para discípulos dos dos fariseus, os quais jejuavam, e desejavam saber porque é que os discípulos de Jesus não jejuavam. (Marcos 2:18)
Jesus, comparando a sua presença abençoadora na terra com a relação entre um noivo e os seus convidados, responde que não teria o menor cabimento os amigos do noivo jejuarem durante a festa de casamento! Conforme o costume da época, os amigos do noivo eram convidados para a festa, e eles participavam desde ajudar nos preparativos até à realização dela. E Jesus estava ali com eles! Ele era o noivo! A festa era a primeira vinda de Jesus com todas as bênçãos para os convidados. Para quê jejuar, então?

Corroborando o ensino acima, o teólogo HENDRIKSEN observa que, durante a vinda de Jesus, Ele trouxe curas, milagres e salvação. Então, o facto de Jesus estar entre nós não se encaixava com os moldes de jejuns estabelecidos por homens. O teólogo explica a parábola:
"O que Jesus estava a dizer é que a salvação trazida por Ele não tinha nada a ver com jejuns desprovidos de alegria. Os odres velhos não podem competir com o vinho novo, ainda a fermentar. Esse vinho romperá os odres, o que resultará na perda de ambos. Do mesmo modo, o vinho novo, cheio de riqueza para todos os que desejam aceitar as bênçãos - até mesmo os publicanos e os pecadores -, deve ser posto em odres novos e fortes cheios de gratidão, liberdade e serviço espontâneo para a glória de Deus".¹ 
Com isso em mente, Jesus, em vez de apregoar uma interpretação como a do Sr. Cairbar Schutel, estava simplesmente a querer dizer que, assim como não se costura remendo de pano novo em roupa velha ou não se põe vinho novo em recipiente de couro velho,  também não se fica triste (jejua) quando Jesus estava com eles. Mas, conforme Jesus disse um versículo antes desta parábola, virão dias em que jejuarão, porque Jesus, o noivo, lhes seria tirado. (Marcos 2:20)
Isto não tem rigorosamente nada a ver com Espiritismo!

É uma pena que interpretações como estas cheguem às prateleiras de livrarias para apregoar heresias e prestar um desserviço aos leitores mal informados. Mesmo que se queira ver novas verdades reveladas para a humanidade em Marcos 2:21, 22, no máximo poderíamos admitir que Jesus falasse do fim daquele sistema judaico com as suas leis orais e tradições religiosas que o próprio Jesus condenou. Como verdadeiro judeu praticante, afinal, Ele mesmo cumpriu toda a Lei de forma correcta, portanto, não era uma pessoa independente de religião. (João 5:17)
A nova verdade seria então a salvação em Cristo Jesus, aquele que disse: "Eu sou a verdade". (João 14:6)
 
Portanto, alertemos os espíritas sobre o real significado desta parábola. - Fernando Galli.
_____________________

¹ HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento : Marcos, página 136. Editora Cultura Cristã, São Paulo-SP, 2003.